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O erro da Globo ao anunciar Tunísia x Paraguai: o que a gafe revela sobre a pressão da Copa

Uma chamada que anunciava um jogo inexistente expôs falhas no controle editorial da Globo durante a Copa do Mundo — e o incidente é mais sintomático do que parece.

Na noite de quinta-feira, 18 de junho de 2026, a Globo exibiu uma chamada anunciando a transmissão de Tunísia x Paraguai — uma partida que simplesmente não existe na Copa do Mundo. O erro, que viralizou rapidamente nas redes sociais, gerou crise nos bastidores da emissora e abriu uma investigação interna para entender o que aconteceu. Mas a gafe é apenas a ponta de um iceberg que revela algo maior: a pressão absurda sobre as equipes editoriais durante o maior evento esportivo do planeta.

Como uma chamada inexistente foi ao ar?

A propaganda, que circulou na programação da emissora, mostrava um placar estilizado com as bandeiras da Tunísia e do Paraguai — dois países que não se enfrentam na Copa de 2026. A Tunísia está no Grupo G, ao lado de Portugal, Coreia do Sul e Gana. O Paraguai, no Grupo E, com Bélgica, Japão e Argélia. Não há cruzamento entre as duas seleções em nenhuma fase do torneio.

Fontes internas ouvidas pela imprensa indicam que o erro ocorreu na central de produção de chamadas, que opera sob volume e velocidade excepcionais durante a Copa. Com 104 jogos no total — 48 seleções, três países-sede — a quantidade de material promocional a ser produzido e veiculado é imensa. Um erro de banco de dados, combinado com a ausência de revisão, teria sido suficiente para que a chamada fosse ao ar.

A investigação e o padrão Globo de qualidade

Segundo noticiado pelo UOL, a Globo iniciou uma investigação interna para apurar as circunstâncias do erro. A expressão "crise nos bastidores" foi usada por múltiplos veículos, sugerindo que o incidente atingiu um nervo sensível na hierarquia da emissora.

Vale lembrar que a Globo enfrenta uma Copa do Mundo sob pressão incomum em 2026. Pela primeira vez, divide a transmissão com SBT e CazéTV — ambos com direitos de todos os jogos do Brasil. A Globo perdeu 33% de público na estreia comparado a 2022, e o Jornal Nacional chegou a superar a audiência da Copa em alguns horários. Nesse cenário de disputa acirrada, cada erro ganha proporções desmedidas.

O caso não é isolado

Em um contexto mais amplo, a gafe da chamada reflete um fenômeno que atinge todas as grandes emissoras em coberturas de Copa: a sobrecarga operacional. O SBT, que voltou a transmitir Copa após 28 anos, também enfrenta desafios logísticos. A CazéTV, com recorde mundial de 12,7 milhões de dispositivos simultâneos no YouTube, opera com uma estrutura enxuta e ágil — mas igualmente sujeita a erros em tempo real.

O que diferencia um erro de um vexame é a resposta institucional. A Globo, que construiu sua reputação em torno do "padrão Globo de qualidade", viu o próprio bordão ser usado contra si nas redes sociais. O Jornal de Brasília estampou: "Adeus ao padrão Globo de qualidade". A reação desproporcional revela o quanto o público — e a imprensa especializada — ainda espera da Globo um nível de excelência que talvez nenhuma organização consiga manter sob a pressão da cobertura multiplataforma de 2026.

Lições para o jornalismo de Copa

O incidente de Tunísia x Paraguai serve como alerta para todas as emissoras que cobrem a Copa do Mundo. Com mais jogos, mais plataformas, mais conteúdo e mais concorrência, o risco de erros editoriais cresce exponencialmente. A solução não é diminuir a velocidade — mas investir em processos de verificação proporcionais ao volume de produção.

Para a Globo, o episódio tem um significado adicional. É a primeira Copa desde a saída de Bonner do JN, e a primeira sob a direção de uma nova geração de editores-chefes. A forma como a emissora lidar com esse e outros incidentes ao longo do torneio será um termômetro da sua capacidade de manter o padrão em um ecossistema de mídia cada vez mais fragmentado e implacável.

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Por Portal Bonner — redação independente.