← Notícias

Cid Moreira: a voz que marcou 27 anos do Jornal Nacional

De Taubaté ao recorde de longevidade na bancada do JN, Cid Moreira construiu uma carreira que transcendeu o telejornalismo e se tornou patrimônio cultural do Brasil.

Nenhuma voz marcou tanto a história da TV brasileira quanto a de Cid Moreira. Por 27 anos — de 1969 a 1996 —, ele foi o rosto e, acima de tudo, o som do Jornal Nacional. Sua locução grave e solene, que ancorou a edição inaugural do telejornal em 1º de setembro de 1969, tornou-se a referência de credibilidade para gerações de brasileiros.

Das origens humildes ao rádio

Nascido em Taubaté, interior de São Paulo, em 29 de setembro de 1927, Cid Moreira era filho de um bibliotecário e de uma dona de casa. Formou-se em contabilidade em 1944, mas o destino escreveria outra história. Aos 15 anos, trabalhava como contador na Rádio Difusora de Taubaté quando foi convidado a ser locutor — sua voz grave chamou atenção imediatamente.

O rádio foi sua escola. Transferiu-se para o Rio de Janeiro e construiu carreira sólida como locutor e narrador de cinejornais — na era de ouro do cinema, era sua voz que narrava os jornais exibidos antes dos filmes em todo o Brasil.

O Jornal Nacional e o recorde de longevidade

Em 1969, a TV Globo o convidou para apresentar seu novo telejornal nacional. Ao lado de Hilton Gomes (e depois Sérgio Chapelin), Cid Moreira comandou a bancada do JN por mais de duas décadas e meia. É, até hoje, o âncora que mais tempo permaneceu à frente do telejornal — um recorde que dificilmente será superado.

Nesses 27 anos, Cid narrou momentos decisivos da história brasileira: da ditadura militar à redemocratização, do milagre econômico aos planos econômicos, da posse de presidentes às copas do mundo. Sua locução tornou-se a voz oficial de um país que se descobria pela televisão.

A saída e a nova carreira

A última edição de Cid Moreira como âncora do JN foi em 29 de março de 1996, ao lado de Sérgio Chapelin. A Globo decidira renovar o telejornal — William Bonner e Lillian Witte Fibe assumiram a bancada em 1º de abril daquele ano. Cid tinha contrato vitalício com a emissora, um dos poucos profissionais a ostentar esse status.

Longe da bancada, ele se reinventou. Gravou a Bíblia completa em áudio — tornou-se fenômeno de vendas com mais de 40 milhões de CDs comercializados. Sua voz grave, que pautou o noticiário nacional, passou a embalar a fé de milhões de brasileiros.

Legado

Cid Moreira faleceu em 3 de outubro de 2024, aos 97 anos, em Petrópolis (RJ), vítima de falência múltipla de órgãos. Mas seu legado vai muito além da longevidade. Ele personificou a era em que a televisão era o centro da vida cultural brasileira — e a voz do locutor, o selo de credibilidade que unia um país continental.

Para entender a história do Jornal Nacional, é impossível não passar por Cid Moreira. Ele não foi apenas um apresentador — foi a própria voz do telejornalismo brasileiro durante sua era mais formativa.

Leia mais: Sérgio Chapelin: o âncora que marcou duas décadas do Jornal Nacional

Leia mais: A transição de 1996: quando o JN trocou apresentadores pela primeira vez

📖 LIVRO RECOMENDADO

Brasil em Constituição
Globo Livros

Histórias e bastidores da série exibida no JN que mostrou os avanços conquistados com a Carta de 1988

VER NA AMAZON →

Comentários

Deixe seu nome e e-mail. Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.

Por Portal Bonner — redação independente.